Voltar para a UCANNMED Falar com a equipe

Você achou a sala escondida

Prazer, cannabis.

Uma das plantas mais antigas da medicina, explicada com ciência e sem mistério.

Para começar

Seu corpo já fala essa língua.

Antes de ser assunto de política ou de farmácia, a cannabis é assunto de biologia. E a parte mais interessante da história acontece dentro de você.

Você produz os seus próprios canabinoides.

O corpo humano tem um sistema inteiro de comunicação, o sistema endocanabinoide, com receptores espalhados pelo cérebro, pelos nervos e pelas células de defesa. Ele ajuda a regular funções que você sente todos os dias.

  • Sono
  • Dor
  • Humor
  • Apetite
  • Memória
  • Inflamação

1992

A molécula da bem-aventurança

O primeiro canabinoide produzido pelo próprio corpo foi isolado em 1992 e batizado de anandamida. Ananda, em sânscrito, quer dizer bem-aventurança.1

1964

A planta veio antes do mapa

O THC foi isolado em 1964, em Israel. O receptor em que ele se encaixa só foi identificado em 1990. Foi a planta que revelou o sistema, e não o contrário.1

+100

Muito além de duas siglas

A planta tem mais de cem canabinoides. THC e CBD são os mais estudados, e grupos brasileiros estão entre os pioneiros na pesquisa do CBD.2

873 mil

Brasileiros em tratamento

É a estimativa de pacientes de cannabis medicinal no país em 2025, 30% a mais do que no ano anterior.3

A euforia de quem corre vem dos seus canabinoides.

Por décadas o bem-estar depois da corrida foi atribuído às endorfinas. Em 2021, pesquisadores bloquearam os receptores de endorfina de 63 corredores e a euforia continuou lá, acompanhada de um aumento dos canabinoides do próprio corpo.4

As duas mais conhecidas

THC e CBD, cada um com seu papel.

Elas vêm da mesma planta e agem de jeitos diferentes. Na consulta, a escolha entre uma, outra ou as duas depende do que você precisa.

CBD

Canabidiol

Onde ajuda
Epilepsias de difícil controle, com evidência sólida. Ansiedade e sono, com evidência crescente.
Altera a percepção?
Não. Você segue a rotina normalmente.
Segurança
A OMS considera o CBD bem tolerado, com bom perfil de segurança e sem potencial de abuso ou dependência.5
O que acompanhar
Sonolência, diarreia e mudança no apetite são os efeitos mais comuns. Exames do fígado e outros remédios em uso entram na conversa.7

THC

Tetra-hidrocanabinol

Onde ajuda
Dor crônica, náusea da quimioterapia e espasticidade, com evidência sólida.6
Altera a percepção?
Pode, dependendo da dose. No uso médico a dose começa baixa e sobe devagar.
Segurança
Perfil conhecido e manejável com dose ajustada. O risco de dependência existe e cresce com uso frequente em doses altas.
O que acompanhar
Tontura, boca seca e sonolência. Como reduz a atenção, não combina com direção.

O que já se sabe

O que a ciência já mostrou.

São décadas de pesquisa, com ensaios clínicos publicados nas principais revistas médicas do mundo. Em algumas condições o benefício está bem demonstrado. Em outras, os resultados crescem a cada ano.

Evidência sólida

  • Epilepsias de difícil controleEm 120 crianças e jovens com síndrome de Dravet, as crises caíram de 12,4 para 5,9 por mês com CBD.7 A OMS reconhece o CBD como tratamento eficaz da epilepsia.5
  • Dor crônica em adultosEvidência substancial de eficácia.6
  • Náusea e vômito da quimioterapiaEvidência conclusiva com canabinoides orais.6
  • Espasticidade na esclerose múltiplaEvidência substancial de melhora dos sintomas relatados pelos pacientes.6

Evidência crescente

  • SonoEvidência moderada de melhora no curto prazo quando o sono é prejudicado por dor crônica, fibromialgia, esclerose múltipla ou apneia.6
  • AnsiedadeEm estudo da USP de Ribeirão Preto, o CBD reduziu a ansiedade de falar em público em pessoas com ansiedade social.8
  • EsgotamentoEm 120 profissionais de saúde na linha de frente da covid, o CBD reduziu a exaustão emocional em quatro semanas. Alguns precisaram suspender o uso por alterações em exames, o que mostra por que o acompanhamento importa.9
  • Tourette e estresse pós-traumáticoPrimeiros resultados positivos em estudos pequenos.6

Em estudo

  • A pesquisa continuaÁreas em que os estudos avançam e ainda não permitem conclusão.6
  • Doença de Parkinson
  • Esquizofrenia
  • Esclerose lateral amiotrófica
  • Dependência de outras substâncias

Estudos falam de grupos. Consulta fala de você. É na conversa com o médico que a evidência vira um plano que faz sentido para o seu caso.

Uma história longa

Dois mil anos de medicina, com sotaque brasileiro.

Das farmacopeias antigas aos laboratórios da USP e da Unifesp, que ajudaram a colocar o canabidiol no mapa da ciência.

Séc. I

Na farmacopeia mais antiga

O pen-ts'ao ching, compêndio chinês de plantas medicinais, registra o uso da cannabis para dores reumáticas e outros males.10

1830

A primeira proibição

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro proíbe a venda do "pito do pango", o cigarro de maconha da época.11

1839

Chega à medicina ocidental

O médico irlandês William O'Shaughnessy publica seus resultados com cannabis em reumatismo, convulsões e espasmos musculares.10

1905

Remédio de farmácia

Os "cigarros índios" ainda eram anunciados no Brasil, indicados para asma, catarros e insônia.12

1938

O cultivo é proibido

O Decreto-Lei 891 proíbe o plantio da cannabis em todo o país.12

1980

O estudo da Unifesp

O grupo do professor Elisaldo Carlini testa canabidiol em pessoas com epilepsia de difícil controle. De 8 que receberam CBD, 4 ficaram quase sem crises.13

2011

Ansiedade, na USP

Pesquisadores de Ribeirão Preto mostram que o CBD reduz a ansiedade de falar em público em pessoas com ansiedade social.8

2019

De volta à farmácia

A Anvisa cria a categoria de produtos de cannabis, que passam a poder ser vendidos em farmácias com receita.14

2024

O tribunal manda regular

O Superior Tribunal de Justiça determina que o cultivo para fins medicinais seja regulamentado.15

2026

Novas regras

A Anvisa autoriza o cultivo por empresas habilitadas, para fins medicinais, e atualiza as regras de prescrição e venda.1415

Role para o lado para seguir a linha do tempo.

O que a gente mais ouve

Cinco frases para olhar de novo.

"CBD dá barato."Mito

O canabidiol não altera a percepção. A Organização Mundial da Saúde avaliou a substância em 2018 e concluiu que, em humanos, o CBD não mostra efeitos indicativos de potencial de abuso ou dependência.5

"No Brasil é proibido."Mito

O uso medicinal é regulamentado pela Anvisa e os produtos são vendidos em farmácias, com prescrição de médico ou cirurgião-dentista e receita controlada. O que segue proibido é o uso recreativo.14

"Tratamento com cannabis é fumar."Mito

O mais comum são óleos em gotas. As vias previstas pela Anvisa são oral, sublingual, bucal, nasal, inalatória e dermatológica. A venda da planta, de flores secas e de produtos para fumar não é permitida.14

"É coisa nova, sem pesquisa."Mito

A cannabis está nas farmacopeias há cerca de dois mil anos e é estudada pela ciência moderna desde os anos 1960. O Brasil pesquisa o canabidiol desde a década de 1970, com trabalhos da Unifesp e da USP citados no mundo inteiro.1013

"Serve para tudo."Meia verdade

Serve para muita coisa, e a lista cresce. Há condições com evidência sólida e outras em que a pesquisa ainda avança. O papel da consulta é separar uma coisa da outra para o seu caso.6

Tratamento bem feito

Segurança faz parte do tratamento.

Bem indicada e acompanhada, a cannabis medicinal tem bom perfil de segurança. Para isso, algumas conversas acontecem na consulta, antes de qualquer prescrição.

O que o médico avalia com mais atenção

  • Gestação e amamentação
  • Histórico pessoal ou familiar de psicose
  • Adolescência
  • Doenças do coração e do fígado

O que vale contar na consulta

  • Todos os remédios que você usa, inclusive os sem receita
  • Se você dirige ou opera máquinas no trabalho
  • Tratamentos que já tentou e como reagiu
  • O que você espera melhorar

Na UCANNMED

Uma das opções. Nunca o ponto de partida.

Aqui a conversa começa pela sua história. A cannabis medicinal entra quando há indicação, ao lado de outras opções, e sempre com acompanhamento.

Converse com nossa equipe Conhecer a clínica

Fontes

  1. Mechoulam R, Ben-Shabat S. From gan-zi-gun-nu to anandamide and 2-arachidonoylglycerol: the ongoing story of cannabis. Natural Product Reports, 1999.
  2. Crippa JA, Guimarães FS, Campos AC, Zuardi AW (USP, Ribeirão Preto). Translational Investigation of the Therapeutic Potential of Cannabidiol. Frontiers in Immunology, 2018.
  3. Kaya Mind. Anuário da Cannabis Medicinal 2025, citado em Poder360, novembro de 2025.
  4. Siebers M et al. Exercise-induced euphoria and anxiolysis do not depend on endogenous opioids in humans. Psychoneuroendocrinology, 2021.
  5. Organização Mundial da Saúde, Comitê de Especialistas em Dependência de Drogas. Cannabidiol (CBD): Critical Review Report. 2018.
  6. National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine. The Health Effects of Cannabis and Cannabinoids: conclusões do comitê. 2017.
  7. Devinsky O et al. Trial of Cannabidiol for Drug-Resistant Seizures in the Dravet Syndrome. New England Journal of Medicine, 2017.
  8. Bergamaschi MM et al. (USP, Ribeirão Preto). Cannabidiol reduces the anxiety induced by simulated public speaking in treatment-naïve social phobia patients. Neuropsychopharmacology, 2011.
  9. Crippa JAS et al. (USP, Ribeirão Preto). Efficacy and Safety of Cannabidiol Plus Standard Care vs Standard Care Alone for the Treatment of Emotional Exhaustion and Burnout Among Frontline Health Care Workers. JAMA Network Open, 2021.
  10. Zuardi AW (USP, Ribeirão Preto). History of cannabis as a medicine: a review. Brazilian Journal of Psychiatry, 2006.
  11. Agência Senado. Entrevista com o historiador Jean Marcel Carvalho França (Unesp). 2022.
  12. Carlini EA (Unifesp). A história da maconha no Brasil. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 2006.
  13. Cunha JM, Carlini EA et al. Chronic administration of cannabidiol to healthy volunteers and epileptic patients. Pharmacology, 1980. Ver também Fifty years of research on cannabidiol as an anticonvulsant: the legacy of Brazilian groups, Brazilian Journal of Psychiatry.
  14. Anvisa, RDC 327/2019 e RDC 1.015/2026. Resumo no Conselho Federal de Farmácia.
  15. Superior Tribunal de Justiça, IAC 16, novembro de 2024, e regulamentação da Anvisa de janeiro de 2026. Resumo em Migalhas.